Esqueça-se de esquecer J.Kowalski, 1994 de novembro, Enter, Polônia
Traduzido da versão em Inglês em dezembro de 1999
Esta é uma tradução de um artigo científico popular sobre memória e aprendizagem escrito por J.Kowalski, Polônia, para a revista Enter em 1994 de novembro. Comentários de tradutor em parênteses

Conteúdos:

Veja também : Conquista científica da memória esquecedora


Aumente a velocidade de aprendizagem em 50 vezes! É assim que SuperMemo World anuncia seu produto: SuperMemo. É contudo outro caso de exagero de um produto ou o SuperMemo realmente é um caso merecedor de séria consideração?

O autor do SuperMemo, Piotr Wozniak, PhD, que formou na Universidade Adam Mickiewicz (biologia molecular) e na Universidade de Técnica de Poznañ (ciência da computação) , afirma que há pouco mistério sobre por que o SuperMemo é tão eficaz. Quando nós nos encontramos em 1993 de novembro, Wozniak tentou dispersar todas minhas dúvidas sobre o SuperMemo. Realmente funciona, isso é um fato, e ninguém precisa me convencer disto. Porém, ele realmente é o método definitivo? Realmente é ciência, ou é só um bom produto nascido do esforço e da propaganda da empresa SuperMemo World?

Evolução e memória

O conceito mais interessante e de senso comum que fala em favor do SuperMemo é a evolução. A abordagem de Wozniak para o SuperMemo é profundamente evolutiva: É o suficiente ter um pouco de entendimento básico dos mecanismos de evolução para entender por que memória funciona como funciona e por que o SuperMemo é a solução definitiva para o problema do esquecer.

O sistema nervoso foi a invenção evolutiva que introduziu o controle central. Não fosse por ele seriamos apenas organismos homeostaticamente controlados. Sua criação foi como introduzir um governo comunista em um conglomerado de países e federações, i.e. células e orgãos, governados puramente pelo mercado livre de enzimas, metabólitos livres e hormônios. Em relação ao comunismo, a evolução foi mais inteligente que os humanos no sentido de não iniciar diretamente, mas na proporção dos meios disponíveis. O sistema nervoso em desenvolvimento, nas fases sucessivas da evolução, assumiram um controle crescente em cima do organismo em harmonia com a complexidade crescente de sua estrutura neuronal. O ápice deste processo foi o cérebro humano. O criador definitivo de nossa civilização. Não apenas por causa da introdução próspera desse comunismo neuronal, a evolução pode ser vista como uma desenhista inacreditavelmente inteligente que jamais perderia uma oportunidade de melhoria. Embora seus mecanismos sejam terrivelmente lentos e puramente ocasionais, o que não pôde ser realizado por um progresso conduzido foi realizado pelo poder dos 4 bilhões de anos decorridos desde o aparecimento da primeira célula viva. A infalibilidade da evolução no alcance do que pode ser realizado através da matéria viva baseado em DNA e proteínas pode ser uma direção muito útil na compreensão da neurofisiologia e da psicologia humana; inclusive dos mecanismos de memória. A otimização dos mecanismos envolvidos na memória foi baseado no ajuste das propriedades reguladoras de processos metabolicos e electroquímicos que acontecem na sinapse. Não precisou do envolvimento de novos orgãos, nem mesmo de novas células. Conseqüentemente ao contrário da invenção do vôo, que nota bene foi exercitado pela evolução mais de uma vez, a otimização da memória é resultado de um ajuste perfeito e não da criação de algo do nada (como no caso de desenvolver asas e a habilidade para voar). Não é difícil de notar que os mecanismos de memória foram conservados no curso da filogenia. Afinal de contas, o neuroscientista americano famoso Dr Eric Kandel passou algumas décadas estudando o sistema nervoso primitivo do molusco Aplysia caliphornica (apenas algumas células nervosas compõem o sistema inteiro). O envolvimento de Kandel com o Aplysia não lhe impediu de obter conclusões abrangentes acerca dos mecanismos de memória em humanos. Semelhantemente, uma das descobertas mais importantes na pesquisa molecular em memória na última década, o envolvimento da membrana de proteína kinase C no condicionamento, foi observado primeiramente em um caracol marinho Hermissenda. Em outras palavras, a evolução não levou muito tempo para entender as propriedades de ótimização da memória, a qual, de acordo com Wozniak, é tão difundida no sistema nervoso quanto o ciclo do ácido cítrico no organismo. Nas próximas seções, nós daremos uma olhada nas propriedades ótimas da memória e a relação dela com o SuperMemo. Se realmente a evolução é infalível, o SuperMemo faz o melhor uso das propriedades de otimização da memória.

Otimização evolutiva do esquecer

Vamos ter uma noção mais detalhada de por que, de acordo com Wozniak, memória e esquecimento funcionam de um modo que torna o SuperMemo possível. Pensar no cérebro como um computador é uma metáfora muito útil. Todo o mundo que tem um pouco de entendimento básico de computação sabe que nenhum computador pode resolver problemas sem memória. A memória é necessária para manter o registro da computação; porém, também pode ser usado para manter um programa modificável. Afinal de contas o poder de computadores está na sua programabilidade. Os seres humanos, mais ou menos conscientemente, programam cérebros usando a memória chamada de longo prazo, i.e. memória que dura por meses ou anos. Porém, eles também podem usar a memória de curto prazo, diferente em sua natureza fisiológica, para manter o registro de um cálculo, ou pensamento que conduza à solução, resposta, reflexo, etc. A memória de curto prazo, aparte de suas funções a curto prazo, também serve como a armação para estabelecer recordações a longo prazo.

Um das primeiras perguntas que o usuário de um PC pergunta é quanta RAM o computador possui? A mesma pergunta foi feita pela evolução em relação ao cérebro. A RAM humana é enorme em sua capacidade. Alguns investigadores calculam seu tamanho como vários gigabits (Wozniak usou alguns modelos matemáticos simples de aprendizagem e também chegou à limitação hipotética da capacidade de aprendizagem do cérebro ao longo de uma vida; veja mais adiante). Porém, a memória não é ilimitada, e um organismo vivo não pode tentar armazenar todas informações que chegam. Uma seleção muito significativa tem que ser feita para a capacidade de armazenamento não transbordar ao longo da vida. Parece que a solução está no esquecer. Permitindo o cérebro filtrar as mensagens que chegam e armazenar apenas o quanto for possível na memória de longo prazo. Então é so deixar o esquecer fazer o resto do trabalho eliminando pedaços de informação na ordem de menos relevância. Uma pergunta importante que teve que ser respondida pela evolução foi que pedaços de informação em que ordem deveriam ser esquecidos de forma a maximizar a taxa de sobrevivência. É óbvio, pelo menos para aqueles que compreendem o conceito de probabilidade em um espaço eventual incompletamente especificado que encontrar um evento médio aumenta a probabilidade do mesmo evento ser encontrado novamente. Por exemplo, se você não conhece Mr X e o encontra na rua hoje, a probabilidade que você o encontra amanhã novamente deve ser considerado maior que antes do primeiro enconto. Naturalmente, se você o encontra novamente, você ainda tem mais razões para acreditar em mais encontros no futuro. Em outras palavras, repetições sucessivas deveriam ter um efeito de estimulatório crescente na memória. Infelizmente, a evolução procedeu principalmente na ausência de aspectos de voluntariedade do cérebro humano; conseqüentemente, nós não temos a capacidade para esquecer de acordo com nossa vontade. Nós não podemos decidir liberar memória esquecendo de Mr X por ouvir as notícias de que ele morreu ou se mudou para os outro lado do mundo.

Efeito de espaçamento

O pequeno problema de como o cérebro pode impedir eventos que não são prováveis de serem encontrados no futuro de serem transferidos permanentemente para memória como resultado de um grande número de repetições permanece. A resposta foi achada aplicando o chamado efeito de espaçamento que diz que quanto mais longo o intervalo entre as repetições, melhor o efeito na memória. Deste modo um número grande de repetições em intervalos curtos tem muito pouco impacto na memória. Em outras palavras, a memória usa o efeito de espaçamento e o princípio de intervalos crescentes para fixar informação efetivamente pertinentes no cérebro. Ao encontrar um evento ele é transferido temporariamente na memória a longo prazo e é esquecido em questão de dias. Porém, se o evento é reencontrado, a memória assume aumento da probabilidade do evento no futuro e aumenta o período de retenção. Inicialmente, no período de retenção, memória não é sensível a mais encontros do mesmo evento. Só em mais tarde a memória fica sensível novamente e um encontro novo agirá como uma repetição que aumentará o período de retenção tornando a memória temporariamente insensível a mais encontros.

Se alguém duvida a importância do efeito de espaçamento, Wozniak propôs considerar o exemplo seguinte: O leitor consegue lembrar do nome daquela moça que disparou um tiro sinalizador num jogo da seleção brasileira e quase foi responsável pela primeira não participação do Brasil em uma Copa do Mundo? (NT: Exemplo adaptado da realidade polonesa para a brasileira) Se sua reação é: Claro, sim, espere um segundo, eu seguramente me lembro disto mas... aha! então isto pode ser um exemplo do efeito de espaçamento. Apesar do fato do nome dessa pessoa ter dominado a mídia por um período curto de tempo, muitos podem achar difícil de recordar o nome dela. A razão é simples, centenas de repetições relativas ao nome dela foram feitas em um período muito pequeno de tempo. Por causa do efeito de espaçamento, memória reagiu ao fenômeno mais como a uma única repetição em vez de a uma saraivada de excitações de memória. O valor biológico de tal uma propriedade do cérebro pode ser explicado pelo fato de que eventos que acontecem densamente em um período pequeno de tempo podem ser desmerecedores do precioso armazenamento na memória. Caso contrário, um grande número de repetições por uma semana poderia deixar um rastro de memória inútil na vida. Nós realmente precisamos nos lembrar do nome daquela pessoa? Nós não o fizemos... a menos que nós sejamos próximos dela por parentesco, amizade, etc., naturalmente. Usando a metáfora de computador novamente, o problema de escolher o mínimo de pedaços de informação relevantes de conhecimento no processo de esquecer são análogos ao problema de paginação em memória virtual. Na paginação, a pergunta é quais os blocos de memória deveriam ser descartados para maximizar a probabilidade que a próxima referência de memória seja a um bloco que já foi colocado na memória. Ao contrário dos sistemas operacionais, o algoritmo LRU (Menos Recentemente Usado) não funcionaria bem para memória humana. Se o LRU fosse usado, no primeiro esquecimento iriam os princípios dominados na escola primária. Seria o bastante parar de usar uma calculadora durante alguns meses para ter toda a tabuada descartada por estar em prioridade atrás do café da manhã. A avó que faleceu uma década atrás seria outra vítima prematura. Definitivamente, o LRU privaria o cérebro de flexibilidade e nós... de humanidade.

Memória humana versus memória virtual em sistemas operacionais

A pergunta surge imediatamente: Se a otimização biológica do armazenamento de memória é tão eficiente quanto no caso dos humanos, por que não os desenvolvedores de sistemas operacionais não determinam atributos de memória a blocos de memória e usam intervalos crescentes combinados com o efeito de espaçamento desenvolvendo, digamos, a próxima versão do Windows dessa forma? A chave para a resposta está em uma diferença principal entre o cérebro e o sistema operacional: nele podem ser recarregados os blocos de memória do disco em um piscar de olhos o que não é verdade com recordações humanas esquecidas. Você não verá um estudante em um exame dizendo ao examinador: Espere um segundo, eu esqueci há pouco isto e tenho que recarregar de meu lento armazenamento externo. Obviamente, uma cola, ou qualquer tipo de referência externa pode servir como uma muleta inteligente para aqueles que não desejam carregar a sua mente com o esforço de se lembrar. Tristemente, no ritmo de homem - lobo do - homem de nossa civilização, a abordagem LRU se torna cada vez mais freqüentemente aplicada em humanos. Colas, sistemas de ajuda e enciclopédias possuem um papel maior que o treinamento da memória. As baixas notas de americanos graduados em testes verbais, analíticos e lógicos quando comparados com chineses, coreanos, ou até mesmo estudantes que vêm da Europa Oriental são um efeito colateral triste de como uma economia capitalista dinâmica promove a educação superficial LRU e uma corrida para realização prematura a qualquer preço. Esta tendência LRU pressagia problemas para o SuperMemo? Não, diz Wozniak, as pessoas e os governos perceberam a importância da educação voltada para áreas aplicáveis por toda vida nas atividades do homem moderno a muito tempo. A pressão do urgente não considerado um fator negativo apenas na educação. Até mesmo em negócios! Entre no escritório de um homem de negócios moderno, sem dúvida o candidato principal para doenças cardíacas relacionadas ao estresse (conseqüência de pensar e priorizar LRU), e cada vez mais freqüentemente você verá pendurado na parede uma vasta coleção de máximas famosas contra a urgência. Para fundamentar a convicção nas novas tendências aindamais fundo, vale notar que executivos realmente são um dos principais grupos de clientes da SuperMemo World.

Recuperabilidade e estabilidade de memória

Nós chegamos ao ponto onde a interpretação evolutiva da memória indica que ela funciona usando os princípios de intervalos crescentes e o efeito do espaçamento. Existe qualquer prova desta ação da memória aparte da especulação evolutiva? Em sua Dissertação de doutorado, Wozniak discutiu amplamente aspectos moleculares da memória e apresentou um modelo hipotético de mudanças que acontecem na sinapse no processo de aprendizagem. O elemento novo apresentado na tese foi a distinção entre a estabilidade e recuperabilidade dos rastros da memória. Este estudo não pôde ser usado para apoiar a validade do SuperMemo pelo simples fato de ter sido o próprio SuperMemo a base para a hipótese. Porém, uma evidência molecular crescente parece coincidir com o modelo estabilidade-recuperabilidade provendo, ao mesmo tempo, suporte para a veracidade das suposições que levam ao SuperMemo. Em termos claros, recuperabilidade é uma propriedade da memória que determina o nível de eficiência com que as sinapses podem ocorrer em resposta ao incentivo e assim recuperar a ação aprendida. Quanto mais baixa a recuperabilidade menos provável que você se lembre da resposta correta para uma pergunta. Por outro lado, a estabilidade reflete o histórico de repetições anteriores e determina a extensão de tempo no qual podem ser sustentados os rastros de memória. Quanto mais alta a estabilidade de memória, mais tempo levará para a recuperabilidade cair ao nível zero, i.e. para o nível onde as recordações estão permanentemente perdidas. De acordo com Wozniak, quando nós aprendemos algo pela primeira vez nós sofremos um aumento leve na estabilidade e recuperabilidade nas sinapses envolvidas na codificação da associação incentivo-resposta em particular. Com o tempo, a recuperabilidade declina rapidamente; o fenômeno equivalente a esquecer. Ao mesmo tempo, a estabilidade da memória permanece aproximadamente no mesmo nível. Porém, se nós repetimos a associação antes da recuperabilidade zerar, ela recupera seu valor inicial, enquanto a estabilidade aumenta para um nível novo, substancialmente maior que o da aprendizagem inicial. Antes que ocorra a próxima repetição, devido a estabilidade aumentada, a recuperabilidade diminui em um ritmo mais lento e o intervalo de inter-repetição pode ser muito maior antes que o esquecimento ocorra. Também devem ser notadas outras duas propriedades importantes da memória: (1) repetições não têm nenhum poder para aumentar a estabilidade em momentos quando a recuperabilidade é alta (efeito de espaçamento), (2) ao esquecer, a estabilidade declína rapidamente.

Base molecular de memória

Como mencionado antes, os mecanismos moleculares que supostamente controlam a memória não foram usados como base para desenvolver o SuperMemo. Embora a inspiração fosse mútua, o modelo estabilidade-recuperabilidade provavelmente contribuiu muito mais para a compreensão do aspecto molecular de memória que vice-versa. O correlato entre o modelo e as descobertas da memória molecular poderiam não ser em princípio notáveis. Afinal de contas a maioria das pesquisas sobre memória giram em torno do conceito do recuperabilidade de uma conexão de sináptica. O conceito de estabilidade é absolutamente novo e nenhuma menção de fenomêno semelhante pode ser encontrada em pesquisas amplamente publicadas. Porém, tanto a memória de curto prazo quanto os componentes da memória de longo prazo: recuperabilidade e estabilidade, se ajustam bem nos modelos presentemente investigados de memória e aprendizagem.

Por dentro do SuperMemo

Nós já vimos que a evolução fala em favor do SuperMemo, descobertas no campo da psicologia coincidem com o método e que fatos de biologia molecular e conclusões que vêm do modelo de Wozniak parecem ir de mãos dadas. Agora é a hora de vermos como os mecanismos descritos foram postos para funcionar no próprio programa. No decorrer das repetições, o SuperMemo representa graficamente a curva de esquecimento para o estudante e marca a repetição no momento onde a retenção, i.e. proporção de conhecimento lembrado, baixas para um nível previamente definido. Em outras palavras, o SuperMemo confere quanto você se lembra depois de uma semana e se você se lembra menos que o desejado lhe pede que faça repetições em intervalos menores de uma semana. Caso contrário, confere a retenção adequadamente depois de um período mais longo e aumenta os intervalos. Um pouco de dificuldade para este método simples é causada pelo fato de itens de dificuldade diferente terem que ser repetidos em intervalos diferentes e dos intervalos aumentarem a medida que o processo de aprendizagem ocorre. Além disso, os intervalos inter-repetição ótimos têm que ser conhecidos para um indivíduo médio e usados antes que o programa possa coletar dados do estudante real. Deve haver obviamente um aparato matemático inteiro envolvido para que toda essa operação funcione. Ao todo, Wozniak diz que houve 30 dias pelo menos na sua vida em que teve uma impressão de que os algoritmos usado no SuperMemo foram melhorados significativamente. Cada um dos casos parecia ser uma grande inovação. O processo de desenvolvimento inteiro constituiu somente de uma longa sucessão de tentativas e erros, testando, melhorando, implementando idéias novas, etc. Infelizmente, esses bons dias hão terminado. Não houve melhoria de inovação no algoritmo desde 1991. Um pouco de conforto pode vir do fato que desde então o software começou a se desenvolver rapidamente para proporcionar ao usuário novas opções e soluções. O SuperMemo pode então ficar ainda melhor, mais rápido e mais eficaz? Wozniak é pessimista. Qualquer ajuste adicional nos algoritmos, aplicando inteligência artificial ou redes neurais seriam perdidos no ruído de interferência. Afinal de contas, nós não aprendemos em isolamento do mundo. Quando o programa programa a próxima repetição em 365 dias e o fato é recordado por casualidade em algum momento antes, o SuperMemo não tem nenhum meio de saber sobre essa memória acidental e executará a repetição no momento previamente planejado. Isto não é ótimo, mas não pode ser resolvido melhorando o algoritmo. Melhorar o SuperMemo agora é como sintonizar um bom receptor de rádio em um barulhento saguão de montagem de carros. As pessoas da SuperMemo World estão agora menos enfocadas em ciência. Na visão delas, depois da invenção científica, chegou a vez da invenção social do SuperMemo.

[Em 1995, um ano depois de escrever este artigo, um algoritmo novo do SuperMemo foi desenvolvido com promessas para ainda aumentar a velocidade de aprendizagem, esp. nas primeiras semanas de repetições. Melhorias adicionais tornaram o mesmo algoritmo menos sensível a interrupções em aprendizagem em 1996. No final de 1997, o trabalho recomeçou com SuperMemo em redes neuronais]

Teoria e prática

Usando um modelo matemático simples, de acordo com Wozniak, se pode predizer facilmente como o processo de aprendizagem vai ocorrer em uma longa perspectiva. Uma das observações mais notáveis é que, tirando o período inicial, não há diminuição substancial na velocidade de aprendizagem com o tempo (poderia ser esperado um declínio rápido na taxa de aquisição de conhecimento em virtude da acumulação de repetições). Outro fato interessante é que até mesmo com o SuperMemo, não é provável que uma pessoa domine mais que alguns vários milhões de fatos e figuras correspondente a itens SuperMemo durante a vida. A velocidade de aprendizagem comum de estudante médio é de aproximadamente 300 itens/ano/min (i.e. o estudante pode memorizar 300 itens por ano se ele ou ela trabalhar um minuto por dia).

Esta velocidade teoricamente prognosticada de aprendizagem foi mais de uma vez confirmada por Wozniak e Gorzelañczyk em pequenos grupos de assuntos. Uma pesquisa recente administrada por SuperMemo World em meio a todos os usuários registrados na Polônia, indica que a velocidade comum de aprendizagem informada por usuários registradas do SuperMemo também está próxima de 300 itens/ano/min, entretanto diferenças individuais foram mais que significativas (de 50 a 3000 itens/ano/min) e valores extremos tiveram que ser rejeitados em prol de uma visão mais fidedigna. Experimentos de simulação baseados no modelo de aprendizagem de Wozniak mostram que é provável que um estudante que pare de fazer as repetições depois de um trabalho de 5 anos com o SuperMemo esqueça 60% do material aprendido no primeiro ano depois da cessação! [Este valor depois se provou exagerado] Entretanto para períodos menores de tempo, esta estatística assustadora foi confirmada na prática. Neste momento alguém pode ficar desapontado com a volatilidade do conhecimento ganho com o SuperMemo, mas os valores acima também revalidam uma vez mais que a aprendizagem sem SuperMemo não é muito ineficiente.

Pode funcionar mas não pode ser tão bom assim

Se a pessoa é convencida da validade do que foi dito até agora sobre o SuperMemo, ela já estará convencida que o programa é uma cura perfeita para a memória fraca? Realmente pode ele se utilizar das propriedades do sistema nervoso e permitir aprender uma dúzia de vezes mais rápido que em circunstâncias normais? Afinal de contas já houve várias gerações de estudantes tentando descobrir métodos melhores de aprendizagem e uma inovação comparável com o que SuperMemo reivindica ser parece altamente improvável até mesmo para um observador realmente aberto. Wozniak considera o argumento da baixa probabilidade uma fonte justificável de ceticismo e diz que ele mesmo localizou evidências de que abordagems semelhantes ao SuperMemo para o aprendizado já foram experimentadas antes com menor ou maior grau de sucesso. Além disso, vale a pena notar que o SuperMemo poderia não ter chegado ao ponto que chegou caso não tivesse sido implementado como um programa de computador que pode ser transferido facilmente entre as pessoas. Em outros palavras, poderia ter terminado como as tentativas anteriores de organizar o processo de aprendizagem. É preciso lembrar que o algoritmo estrutural do SuperMemo foi formulado em 1985 e só em 1987 aconteceu sua lenta expansão em círculos científicos selecionados em Poznañ. Outro detalhe fundamental a ser mencionado é a SuperMemo World não teria sido criada em 1991 não fosse a inspiradora reunião de mentes entre Wozniak e seu colega de universidade, Krzysztof Biedalak, presentemente o Vice-presidente de SuperMemo World. Quando os dois estudantes na universidade, Wozniak pretendia estudar neurosciências nos EUA, Biedalak queria fazer o mesmo no campo de inteligência artificial. Somente por coincidência, foram ambos lançados no mundo da ciência empresarial. Tudo isso mostra que apesar do fato dos princípios de SuperMemo serem extremamente simples e de que poderiam ter sido inventados independentemente em vários vários países do planeta, o SuperMemo não é tudo. O mérito de destaque da SuperMemo World foi o de pôr a idéia em prática, investir muitos homem-horas no desenvolvimento de software e se concentrar em comercializar a idéia para os clientes em potencial. Caso contrário, o SuperMemo permaneceria limitado ao círculo pequeno de seus entusiastas para sempre.

Como SuperMemo foi desenvolvido?

Talvez, enquanto no contexto de invenções completas-vs-não completas, seja interessante dar uma olhada na história completa do SuperMemo desde seu começo. Era 1982, quando o estudante de biologia molecular de 20 anos de idade, na Universidade Adam Mickiewicz de Poznañ, Piotr Wozniak, ficou bastante frustrado com a sua inabilidade em reter o conhecimento recentemente instruído em seu cérebro. Isto se referia ao vasto material de bioquímica, fisiologia, química e inglês, o qual deveria dominar desejando embarcar em uma carreira próspera em biologia molecular. Um dos incentivos principais para tentar resolver o problema de esquecer de um modo mais sistemático foi um cálculo simples feito por Wozniak que mostrou que continuando o seu trabalho em dominar o inglês usando os métodos tradicionais, ele precisaria de 120 anos para adquirir todo o vocabulário relevante. Isso não apenas incitou Wozniak a trabalhar em métodos de aprendizagem, como também o transformou em um determinado defensor da idéia de um idioma para todos os povos (tendo em mente o tempo e dinheiro gastos pela espécie humano na tradução e aprendizado de idiomas). Inicialmente, Wozniak guardou pilhas crescentes de anotações com fatos e figuras que ele gostaria de se lembrar. Não levou muito tempo para descobrir que para evitar o esquecimento é necessário fazer repetições freqüentes e uma abordagem sistemática era necessária para administrar todo o conhecimento recentemente coletado e memorizado. Usando uma intuição óbvia, Wozniak tentou medir a retenção de conhecimento depois de intervalos inter-repetição diferentes e em 1985 formulou o primeiro esboço do SuperMemo que ainda não requeria um computador. Em 1987, Wozniak, então era um estudante do segundo ano de ciência da computação bastante entusiasmado com a eficiência de seu método e decidiu implementá-lo como um programa de computador simples. A eficiência do programa pareceu ir além do que ele tinha esperado. Isso ativou uma troca científica excitante entre Wozniak e os colegas da Universidade Técnica e da Unirsidade Adam Mickiewicz. Uma dúzia de estudantes de seu departamento assumiram o papel de cobaias e memorizaram milhares de itens que fornecendo um fluxo constante de dados e reavaliação crítica. Dr Gorzelañczyk de Academia Médica ajudou formulando o modelo molecular de formação da memória e modelando o fenômena que acontece na sinapse. Dr Makalowski do Departamento de Bioquímica de Biopolímeros contribuíu com a análise de aspectos evolutivos da otimização da memória (Nota: também foi ele o que sugeriu registrar a marca SuperMemo para Software na Europa). Janusz Murakowski, MSc em Física, atualmente matriculado em um programa de doutorado na Universidade de Delaware, ajudou Wozniak a resolver problemas matemáticos relacionados ao modelo de aprendizagem intermitente e a simulação de correntes iônicas durante a transmissão de potencial de ação em células nervosas. Vários professores acadêmicos, com Prof. Zbigniew Kierzkowski na vanguarda, ajudaram Wozniak a ajustar seu programa de estudo a uma meta: combinar todos os aspectos do SuperMemo em uma teoria coesa que emglobaria os aspectos moleculares, evolutivos, comportamentais, psicológicos e até mesmo aspectos do SuperMemo na sociedade. Wozniak que afirma ter descoberto vários importantes e nunca publicadas propriedades da memória, pretendia solidificar suas teorias adquirindo um PhD em neurociência nos EUA. Muitas horas de discussões com Krzysztof Biedalak, MSc em ciência da computação, fizeram ele escolher outra direção: tentar atingir a visão de levar o SuperMemo aos estudantes de todo o mundo.

Epílogo

Quando eu perguntei para Wozniak se os seus modelos como o de recuperabilidade-estabilidade, o de espaços ótimos de repetição, etc. foram confirmados por outros investigadores no campo de memória e aprendizado, eu recebi um resposta um tanto ambígua. Afinal de contas, diz Wozniak, o esboço da sua metodologia empregada no SuperMemo só foi publicado em apenas um diário científico mundial em 1992 ( Acta Neurobiologiae Experimentalis), e todas suas descobertas básicos se fundamentam no modelo de espaços ótimos de repetição. Por que ele esperou tanto tempo para publicar a sua teoria em um diário respeitável? De acordo com Wozniak, já em em 1990, ele tentou publicar os resultados das suas experiências de seus primeiros experimentos com espaçamento de repetição em várias publicações, inclusive na mais famosa, Memory and Cognition. Porém, os editores, embora louvando expressivamente a abordagem moderna para o estudo da memória, constantemente o mandavam de publicação para publicação alegando que o seu artigo não obedecia exatamente ao perfil deles. Os envolvidos em psicologia se queixavam da introdução de algoritmos de computador complicados, enquanto os mais voltados para matemática não queriam ver suas publicações falando sobre literatura recente em efeito do espaçamento na memória. Ambos aspectos e outros, porém, são centrais ao SuperMemo. Muito cepticismo também foi gerado pela regularidade das descobertas. Wozniak afirma: os dados experimentais pareciam bons demais para serem verdade; como se tivessem sido adulterados para o artigo.

Concluindo, pode-se confiar em Wozniak e experimentar o SuperMemo, ou esperar meses ou anos antes de seu verdadeiro reconhecimento científico. Enquanto isso, o time de marketing de SuperMemo World está brilhando de otimismo: basta perguntar aos usuários do SuperMemo, quarenta mil deles só na Polônia, como o método influi em seus empreendimentos educacionais. A opinião geral é mais que entusiástica. O SuperMemo simplesmente funciona e nós não precisamos provar isto para nossos clientes.

Em questionários recebidos pela SuperMemo World, quando perguntados sobre o que eles gostam mais no programa, a maioria esmagadora dos usuários do SuperMemo indicam sua efetividade. O software pode ser bom, mas o que realmente conta são os resultados na aprendizagem. E quanto ao que mais desgostam? Usuários não estão contentes com isto ou aquilo, freqüentemente com o fato de que, até mesmo na Polônia, o SuperMemo sempre é lançado primeiramente em inglês. Mas não há nenhuma desvantagem em particular nessa precedência. Definitivamente, ninguém questiona o fato de que com o SuperMemo a pessoa pode aprender mais rapidamente e nunca se preocupar quanto a esquecer . Lendo esta descrição tão otimista alguém poderia se perguntar por que o SuperMemo não vendeu ainda milhões de cópias pelo mundo. Marczello Georgiew, Diretor Comercial da SuperMemo World sugere recordar os problemas experimentados por Graham Bell quando tentou introduzir a sua máquina engraçada de falar através de um arame ou do quão pessimista as predições de futurólogos da indústria quanto a expansão da aceitação do automóvel. Então ele acrescenta confiantemente: Levou 10 anos para Wozniak transformar a necessidade em invenção, nos dê metade deste tempo e nós nos transformaremos a sua invenção em uma necessidade global